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Fotografia e outros devaneios

Fotografias, e às vezes palavras, de Fernando DC Ribeiro

21
Jan20

Festas Comunitárias de Barroso

Mesinha de São Sebastião - Vila Grande - Boticas

Hoje, excecionalmente, por tratar-se de uma festa comunitária de Barroso onde a tradição continua a ser cumprida,  partilhamos aqui um post de um outro blog de nossa autoria (Chaves - Olhares Sobre o Reino Maravilhoso):

 

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Ontem, dia 20 de janeiro, como todos os anos, um pouco por todo o lado, mas principalmente no Barroso de Boticas e de Montalegre, festeja-se o São Sebastião com festas comunitárias. Este ano fomos a uma delas (Vila Grande de Dornelas), e passámos por outras duas (Cerdedo e Alturas do Barroso). Pois, muito resumido, mesmo muito, deixamos aqui a Festa da Mesinha de São Sebastião da Vila Grande, freguesia de Dornelas, concelho de Boticas, em cinco olhares da festa, mais um extra.

 

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Como sempre a primeira imagem é a da chegada à aldeia e descida para a “casa dos potes”. Dependendo do ano, esse troço de rua logo pela manhazinha, recebe-nos com chuva, com céus carregado, com geada e leves neblinas, com neve ou com sol radiante como foi o caso deste ano, mas com um frio de rachar, ou pelo menos com essa sensação, coisa que acontece sempre quando os ares vêm de norte, da Galiza. Claro que logo pela manhazinha, poucos são os que andam por lá para além dos que estão (já há dias) a trabalhar para a festa e que na “casa dos potes”, têm sempre um pote cheio de sopa para servir aos mais madrugadores, como nós, que já somos fãs dela (da sopa, nem tanto do madrugar). Posso-vos dizer que é a melhor sopa do mundo… e se não for, para mim é a que melhor me sabe, até nos esquecemos do frio enquanto a comemos.

 

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Depois da sopa, há que fazer a obrigatória visita à “casa dos potes” este ano contei 23,  e não são potinhos, são “potões” tamanho XXL. Esta casa, para além dos potes, dá abrigo também ao pão, que durante duas semanas foi sendo cozido para ser servido na mesinha do santo ou para quem quiser levar para casa. É também nesta casa dos potes e do pão que tudo se faz (arroz e carne), para servir o almoço a todos os forasteiros, que ao meio dia já serão milhares ao longo da rua principal da aldeia, em frente à mesa mais comprida que conheço, com “apenas” uns 470 metros, mais metro, menos metro. Claro que toda esta comida, antes de ser servida, é benzida após a missa das 11 (horas), e só depois vai à mesa sobre toalha de linho.

 

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Lá diz o povo “merenda comida, companhia desfeita”, e todos sabemos que o povo tem sempre razão. Aqui também não é exceção, após degustado o pão, o arroz e o naco de carne, a Vila Grande volta à normalidade dos dias, ou quase, pois é preciso levantar, encartar e guardar a mesa para o próximo ano, lavar os potes, arrumar a casa… enquanto isso, os forasteiros dirigem-se quase todos até à festa mais próxima, nas Alturas do Barroso, onde os espera um pão, um copo de vinho e uma feijoada, e esta festa, sim, entra pela noite dentro até não haver mais forasteiros na rua. Mas há ainda os que depois passam por Salto. Desta não vos posso dar informações, pois apenas sei que existe, mas nunca lá fui. Para que conste, a primeira destas festas comunitárias acontece em Cerdedo, a poucos quilómetros da Vila Grande e igualmente do Concelho de Boticas. Passámos por lá na hora da missa, mas quase nem parámos, por isso, também não tenho pormenores, apenas sabemos que existe e aquilo que nos contaram, mas nós gostamos de deixar aqui o relato da nossa experiência ou viver da coisa. Talvez para o próximo ano fique por aqui Cerdedo.

 

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Em geral regressamos a casa já bem de noite, mas como já conhecemos bem os cantos das festas da Vila Grande e das Alturas do Barroso, resolvemos regressar mais cedo, ao anoitecer, ainda com tempo para uma passagem e paragem em Montalegre e depois sim, o regresso a casa, que gostamos de fazer sempre via Pedrário, onde não resistimos a fazer uma paragem sempre que a mesma nos é solicitada por um olhar diferente. O de ontem, a coincidir com a última foto do dia, é um olhar sobre o anoitecer da Serra do Larouco.

 

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E como as promessas são para cumprir, para o ano lá estaremos “se Deus quiser”, tal como diz o povo, e nunca esqueçam que o povo tem sempre razão...

 

 

 

 

07
Mar08

Pelos meus barrosos...



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Os de lá de baixo têm a mania que são Portugal, pois que o sejam, que fiquem com as sua portugalidade e com as suas postas de pescada, pois eu não troco o meu ser flaviense, a minha costela barrosã e a aguiarense, o ser transmontano, os ares galegos, o nosso frio até, por nada que seja mourisco, a não ser um bom vinho dessas castas.

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É assim, tardo ou demoro em vir por aqui, mas quando venho, trago o que de mais puro e íntimo há em mim.

 

Hoje vieram-me as saudades do barroso, ou dos dois barrosos, porque se reivindicam dois como puros. O de Boticas e o de Montalegre. Pessoalmente o de Montalegre toca-me mais de perto ao coração. Uma costela é pouco, pois só por acaso sou flaviense. Avôs, mãe e irmãos, tios e primos, amigos também e muitos natais e momentos vividos em Montalegre, fazem de mim um flaviense barrosão. Tenho orgulho nisso e até sou a prova de que os palulas podem ser barrosões.

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Do outro barroso de Boticas, não tenho costelas, mas tenho amigos e come-se bem e, não há maior felicidade que uma boa mesa rodeada de bons amigos, quanto ao vinho, também sabem importar do bô e sempre nos resta o dos mortos, pelo menos na tradição.

 

Hoje os meus devaneios fotográficos vão para os barrosos de Montalegre com o Deus Larouco, para Vilar de Perdizes onde “las ai”  pelo menos uma vez por ano, e para Carvalhelhos com ou sem cutout.

 

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Até ao próximo devaneio fotográfico e, ainda bem que existem, para esquecer um pouco da realidade dos dias (actuais).

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